A violência doméstica é uma epidemia que contamina a família, seja pobre, rica ou milionária. As estatísticas mostram que homens que espancam suas mulheres também são violentos com as crianças. Embora inadmissível, um estudo do departamento de medicina preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, que ouviu mulheres de todo o Brasil, mostrou que os filhos de 5 a 12 anos, criados em famílias em que a mulher é submetida à violência, apresentaram maiores problemas, como pesadelos, chupar dedo, urinar na cama, ser tímido ou agressivo. Ainda durante a pesquisa, as mães que se declararam vítimas de violência relataram maior repetência escolar de seus filhos de 5 a 12 anos; e em alguns lugares houve maior abandono da escola.
A violência contra a mulher é muito mais grave do que podemos imaginar. Ela está presente em cada rua, em cada bairro desse mundo a fora. Por maior que seja a conquista da mulher, principalmente neste século, ela ainda convive com o preconceito justamente por ser mulher. Ainda é “normal” uma mulher na mesma função de um homem ganhar um salário menor. Outra forma de violência predominante no mundo machista é quando um homem não quer mais sua mulher, seja lá o motivo que for, e ele “simplesmente” sai de casa. Quando o inverso acontece, esse marido não aceita e continuamente faz ameaças do tipo “Se não for comigo, não vai ficar com mais ninguém!” E neste meio, como ficam as crianças?
Não há duvidas de que as mulheres sofrem com a violência doméstica, mas as crianças sofrem ainda mais (por pior que seja o pai agressor, ele continua referência). Sabemos que grande parte das crianças abusadas sexualmente é de filhos de famílias desestruturadas. A violência não está somente na pedofilia, mas na forma da falta do aconchego, de carinho e principalmente na falta de diálogo. É incrível, mas os pais passam mais tempo no trabalho e depois em frente da TV do que com os filhos. A escola já percebeu essa “falha” e vem de lá a solução: os professores estão a cada dia elaborando atividades para que pais e alunos façam juntos.
Hoje é o dia internacional da não violência contra a mulher. E o que fazemos pode parecer pouco, mas a simples leitura de um artigo como esse pode provocar o desejo de entrar nesta causa, inclusive o agressor. Creio que a conscientização, seja ela na TV ou no boca a boca, pode ser um dos caminhos.
Pense nisso e diga não à violência conta a mulher, afinal ela também afeta nossos filhos!
