Poucas pessoas compareceram a audiência, visto a importância do tema de segurança que preocupa a cada dia mais a população rionegrense
Convocada pela Câmara dos Vereadores, uma audiência pública foi realizada na noite da última quarta-feira (16) e teve como objetivo debater o projeto de lei 73/2016 que dispõe sobre a proibição do consumo de bebidas alcoólicas em logradouros públicos.
Durante toda a audiência as manifestações e discursos foram em apoio e aprovação da lei que é de autoria do presidente da Câmara, vereador Élcio Josué Colaço (PDT) em parceria com a promotora de justiça, Gisele Silvério da Silva.
Lamentável foi a pouca participação da comunidade, devido a ineficiente divulgação da audiência pública. A maioria dos cidadãos ficaram sabendo pela imprensa após ter ocorrido o evento.
Comércio acuado
Em seu discurso, um técnico administrativo do Detran/PR, pontuou que não basta apenas mudar a lei, é preciso conscientizar a sociedade, cobrar da classe política e envolver todas as entidades do município em prol do fortalecimento da segurança pública na cidade. “Para consertos de viaturas e doações de equipamentos a polícia, cansamos de mobilizar a sociedade através dos conselhos municipais de segurança, infelizmente, esse trabalho nunca foi valorizado a ponto do comando da polícia simplesmente destinar nossas doações a outros municípios do estado, isso é lamentável e precisamos impedir que aconteça novamente”, frisou.
Em defesa dos lojistas, falou a presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Mafra e Rio Negro (CDL), Fatima Regina Granemann. Segundo ela, o município enfrenta diversos problemas, mas não pode permanecer ecoado e com medo dos frequentes assaltos, roubos e vandalismo que assola o comércio. “Pasmem o comercio é alvo dos mais diversos tipos de assalto e em diferentes horários com bandidos até munidos de foice tamanha é a petulância dos criminosos. A que ponto chegamos?”, desabafou.
Trabalho desumano
Para promotora de justiça, Gisele Silvério da Silva, é desumano o trabalho de juízes, promotores e policiais civis e militares de Rio Negro
Entre os discursos mais aguardados, estava o da promotora de justiça, Gisele Silvério da Silva, e para ela, o problema da segurança pública em Rio Negro é muito mais grave do que se pensa e classificou como desumano o trabalho da promotoria, juizado e dos policiais quando comparado com outras regiões do estado. “No município de Ponta Grossa, por exemplo, a proporção é de um juiz para cada 12 mil habitantes, aqui temos um juiz para mais de 35 mil habitantes. É desumano o esquecimento de nossa região não é apenas do governo do estado, mas do Tribunal de Justiça e de outras instituições também. A proporção de policiais militares por habitantes também é muito aquém do ideal o que acontece com a policia civil é uma vergonha, em vez de o policial civil estar investigando, eles estão cuidando de preso na Delegacia. Preso não pode ficar em delegacia, ele tem que ficar em presidio aqui tem muito boa vontade, mas só com boa vontade não se consegue fazer tudo”, desabafou.
Para o subcomandante da 1ª Companhia Independente da Lapa, capitão João Pedro Passos Rocha, a lei em questão é vista com bons olhos pela policia militar, e nas cidades onde fora implantada rendeu bons frutos. “Quando se proíbe o consumo de bebidas alcoólicas em vias publicas, resolve também o problema de som auto. Uma vez que não tem bebida, não tem porque ficar ouvindo música na rua e aí as pessoas procuram locais apropriados”. O capitão também lembrou que é praticamente certo que 1ª Companhia Independente da Lapa, se transformara em batalhão e o pelotão de polícia militar de Rio Negro passara a Companhia, e se assim for, Rio Negro passaria a contar com mais de cem novos soldados.
Comerciantes reclamam
Para alguns comerciantes, donos de lanchonetes e demais ramos de atividade, a lei não irá punir os infratores, mas sim aqueles que pagam impostos e geram empregos e renda na cidade. Afirmam não ser justo eles serem penalizados pela falta de segurança na cidade, onde se houvesse a mínima condição de segurança, principalmente quando há eventos e aglomerações de pessoas, como no calçadão por exemplo, algazarras, brigas, vandalismos e assaltos não aconteceriam. Segundo eles, seria injusto supor que os frequentadores de bares e lanchonetes seriam os maiores motivadores pelo “estado de insegurança” que reina no município de Rio Negro.
Alegam também que as pessoas podem beber em casa ou em outros lugares e vir para o centro causar algazarras e vandalismos e até se drogarem, visto que não há fiscalização no município por falta de efetivo policial.
Entendem que os políticos ao invés de punir aqueles que trabalham honestamente, pagam seus impostos, geram empregos e renda no município, deveriam mobilizar os deputados e suas bases políticas na capital paranaense e cobrar do governo uma solução para o que vem acontecendo no município. O problema de tudo isto é a falta de segurança em Rio Negro, falta de policiamento, mais nada, pois na maioria das cidades onde tem segurança adequada, os bares e a venda de bebidas alcoólicas funcionam normalmente sem maiores problemas e quando há, a polícia está presente e cumpre com sua função. Pontuam.